um eu pra cada tempo

Há cinco anos atrás eu tinha vinte e dois e preferia cachorros a gatos. Eu morava longe com meus pais, eu estava no meio da faculdade de jornalismo, eu era estagiária, eu entrevistava caminhoneiros e deputados. Eu estava em um relacionamento heternormativo e monogâmico há oito anos. Eu era aquele eu daquele tempo e sentia um peito cheio em muitos sentidos. Eu tinha muitos ideais desorganizados e mal compreendidos que me traziam certo vazio.

Eu tenho vinte e sete agora e não sei se prefiro gatos ou cachorros. Já acho que tudo que é vivo troca amor e merece amor. Amor é bom. Eu moro perto na minha casa e estou no meio da faculdade de letras. Eu sou jornalista e trabalho com comunicação e com educação em dois trabalhos diferentes. Eu sou professora de português e de redação e em um coletivo de professores. Eu tenho a sorte de ter o/as alunas/o mais maravilhosas/o do mundo. Eu sou solteira. Eu não como carne. Eu sou feminista. Eu pedalo. Eu nado. Nenhum desses verbos é só uma ação, são sentimentos que vivem em mim. Eu sou o eu de agora e meu coração segue cheio e quentinho. Mas ainda tem espaço pra encher.

O que eu era há cinco anos não se tornou o que sou hoje instantaneamente e é nisso que eu tô pensando. Muitas coisas vivi de 2012 até 2017. São processos. Uns encerraram, outros tão recém começando, outros ainda estão bem no meio. Posso sentir e faço bagunça com eles.

É bonito acordar na manhã de feriado e pensar nisso enquanto arrumo as coisas em casa. Se deixar tocar a ponto de parar para escrever. É bonito ver tudo que mudou e o caminho pra trás ainda pequeno. É bonito ver o que não mudou e que talvez nem mude. A gente só é. Cada dia que penso em tudo que trocou de lugar por aqui, penso como nada tem controle e como isso dá uma paz absurda.

Eu só quero seguir com o a mão gelada e o coraçãozinho quente, como dizia minha vó. Gelada do vento da rua, ou da água do mar, ou da pia de um banheiro qualquer mesmo; desde que o quente continue sendo por saber que tem gente boa por perto. De se deixar amar tudo que tem vida e que tem brilho nos olhos quando te vê.

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