Quanta dor cabe num peito

“Quantas noites cortei
É importante dizer
Que é preciso amar, é preciso lutar
E resistir até morrer
Quanta dor cabe num peito
Ou numa vida só
É preciso não ter medo
É preciso ser maior”

Acordei com a voz da Fabiana Cozza dizendo essas palavras que o Emicida escreveu. Era como se ela gritasse nos meus ouvidos perguntando: “quanta dor cabe num peito?”.

Não era ela. Era eu. Eu que ando pensando sobre quantas dores moram no peito de cada um. A gente não tem como saber. Muitas vezes a gente nem sabe quantas dores moram no nosso peito. É assim, né? Quando a gente é capaz esquecer, a gente dá um jeito ali dentro de ir apagando as partes mais traumáticas e ir fingindo que nem tudo aconteceu. Tem coisas que não consigo nem contar direito mais. Eu só sei que elas ainda doem em um lugar bem escondido aqui.

Tem outras que eu tenho vontade de sair gritando por aí. Espalhando pro mundo que isso é um trauma meu, que isso mexe comigo !então faz o favor de parar de me espetar sem perceber, mundo de merda!

Mas a culpa não é do mundo, não é das pessoas, não existe ou existe ou sei lá. Traumas são pontos da gente que nos deixam vulneráveis e eu não quero estar vulnerável mesmo estando muitas vezes.

A gente veste a armadura de pessoa-feliz-cem-por-cento-do-tempo e se obriga a saber lidar com coisas que não sabemos lidar. É tudo um nó. Não na garganta, na cabeça mesmo e na barriga, me convenci que tudo acontece lá.

Quanta dor cabe num peito ou numa vida só? Quanta dor têm dentro de cada pessoa que tá perto de mim e que eu nem sei, machuco elas sem saber. A gente não se conhece. Entenda o ‘se’ como quiser. É preciso amar, é preciso lutar e resistir até morrer.

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